Se tentarmos
responder de imediato a questão: como nascem os vândalos e delinquentes, de
pronto diríamos que eles são unicamente produtos da miséria e da desestruturação
familiar.
Mas ao
debruçarmos um pouco na análise, constataremos que os determinantes que ela cita
não podem ser aceitos como únicos provocadores de tais chagas sociais.
Não
fosse verdade, não veríamos filhos da classe média envolvidos em atos de
extremo vandalismo ao patrimônio público e depredações generalizadas: públicas
e particulares.
Um exemplo recente é o que vem acontecendo em todo o País
travestido de manifestações legítimas, e que descambou para as arruaças, pois,
na realidade tais atitudes vão além, muito além das aparências dessas causas e
expõe o inconformismo com o despreparo e descaso dos governantes.
É muito claro
que a violência é decorrente de fatores sociais, mas é um leque tão vasto que
teríamos que discorrê-los em um trabalho de tese.
O que fica evidente, sejam
eles quais forem, é o a omissão do Estado. Essa omissão beirando a inconstitucionalidade, é tão vergonhosa que por si só já se torna um ato de
vandalismo e delinqüência. Daí, o exemplo para os cidadãos ainda em formação,
e, quando formados, mal formados estão, por conta de política descompromissada
com a educação.
Por que os
nossos jovens apadrinhados com a sorte de terem as necessidades primárias e
secundárias e até mesmo as terciárias de acordo com a hierarquia de
necessidades de Maslow, supridas, não se ajustam para atingirem as quartanárias
que são: auto-estima, confiança, conquista, respeito ao outros, respeito dos
outros?
Sabemos que
faltam políticas de inclusão social para todos, principalmente para os pobres,
que é obrigação do Estado garanti-las, e as existentes não se sustentam por si
mesmas, ou, seja, têm os seus limites balizados por conveniências político-eleitoreiras
e apenas acontecem para promoverem cargos e partidos.
Projetos
sociais são mal construídos na ante-sala das eleições e abortados assim que os
criadores se apossam do almejado cargo. Não há necessidade de repetir aqui a
lengalenga pisada e repisada pelos políticos durante as campanhas, um exemplo
robusto deste desnível é o lugar que o Brasil ocupa no ranking mundial de
competitividade e um dos motivos é a falta de infraestrutura básica, como
estradas e portos tão decantados nas falas promissoras dos nossos candidatos.
O que a
competitividade de um país tem a ver com a delinqüência e o vandalismo?
Tudo. Uma vez
que, nação com baixa competitividade, é nação sem atrativos mercadológicos,
portanto, será uma nação com pouca esperança para os anseios de uma juventude
sedenta de participação na produtividade do país. Energias desperdiçadas para o
bem tendem a ganhar a direção oposta.
No que tange à
educação, em 2012, o Brasil ocupou o vergonhoso penúltimo lugar numa lista de
40 países analisados pela Economist Intelligence Unit (EIU), ficando na frente
apenas da Indonésia, última colocada no ranking.
O presidente do programa
avalia que, entre outras razões da fragilidade educacional, está a falta de uma
cultura que apoie o espírito educativo.
Por conta dessa
cultura descompromissada com a educação o país tem a terceira maior taxa de
abandono escolar entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento
Humano). Está atrás apenas da Bósnia Herzegovina e das ilhas de São Cristovam e
Névis, no Caribe.
Essa evasão
gera cidadãos despreparados para exercerem suas respectivas cidadanias como
deveria ser de direito. Suas leituras de mundo são deformadas e aceitam tudo o
que os oportunistas lhes vendem como verdade absoluta.
Quando não, se sentem excluídos
da ciranda produtiva, então, partem para a destruição de toda ostentação abusiva
que a sociedade e o Estado lhes impingem.
Em se tratando
da classe média, então, o governo lava totalmente as mãos e os pais se vêem
oprimidos entre os leques cada vez mais vastos de produção de conhecimentos
específicos e gerais que eles precisam comprar com preços não módicos para que
seus filhos se insiram num mercado competitivo e impiedoso.
Aqui, também,
pertencer a uma parcela pequena da sociedade chega a ser igualmente doloroso. O
“eu posso ter”, fecha um círculo para poucos que, isolados, sem um Norte
definido se vêem acuados e avançam na contramão dos bons costumes.
Sobre a autora:
Eleni Mariana de Menezes é graduada em Gestão de Finanças e pós-graduada
em Gestão Estratégica de Pessoas.