Onde
estavam os black blocs brasileiros até as manifestações que brotaram nas ruas
em junho passado?
Inspirados
em grupos internacionais eles começaram suas ações no Brasil timidamente em 2001
quando das manifestações da Ação Global dos Povos, movimento contrário à
globalização neoliberal.
De
lá para cá, entraram em um estado de quase inação ao ponto de suscitarem, hoje, indagações indignadas:
Por
que não apareceram antes? Foi só o gigante acordar para que o grupo ganhasse
volume e saísse em defesa dos manifestantes. Ou não? Seriam estes ativistas
contrários às manifestações e com suas ações agressivas tentam enviar uma
mensagem - “Parem, senão quebraremos tudo”.
São
favoráveis ou contrários aos atos de reivindicações nascidos com os clamores
das ruas?
As
dúvidas são cabíveis uma vez que eles transformam em um pandemônio todo e
qualquer ato reivindicatório como se ao contrário da promoção da união
quisessem minar as forças e descaracterizar as ações genuinamente cidadãs.
Por
que em uma democracia, quando uma pauta tem ampla representatividade, é
coerente que sucedam traduções positivas de resultados. Somatórios são valorados
pelos altos graus de repetência.
Isto
é, quanto maior o número de indivíduos interessados que se reúne em torno de
uma questão para obter vantagens, mais pressão exerce sobre os representantes
políticos. E, quanto mais vezes elas acontecem, mais ganham adeptos para
engrossarem a corrente.
Desde
que sejam atos de cidadania, desde que respeitem os padrões de boa conduta e
não firam os princípios da democracia. Desde que corroboram o posicionamento
reivindicatório – todos têm direito a manifestar-se. E, nessa linha de pensamento, ainda pode-se
afirmar que todas as formas de expressões que convirjam para o fortalecimento
do Estado democrático são bem-vindas.
Na
contramão dos direitos e deveres, os black blocs forjam uma intenção: proteger os demais manifestantes da polícia. Como se os
seus atos de extremo vandalismo pudessem defender a população espoliada e
pedinte.
Muito
pelo contrário, eles expõem a risco desnecessário: militantes de uma causa,
jornalistas, passantes ocasionais e a própria polícia.
Não
é possível ignorar esse abscesso que drena as energias da massa ávida por
participação. Muitos gostariam de dar continuidade ao que começaram em junho
quando das manifestações surpreendentes que se alastraram por todo o país, mas
desistem por força da situação perigosa.
Temem
a ocorrência do enfrentamento físico e brutal com a tropa de choque que ocorre
toda vez que os ativistas vestidos de preto provocam quando aparecem com seus
martelos, estilingues e pedras. Então, sentindo-se
abalados no quesito segurança, os cidadãos de fato, desistem de exercer a sua
cidadania e as ruas ficam cada vez mais vazias destes.
Por
trás de uma grande causa, nobre ou cancerígena, sempre há uma mente fértil que
a lidera.
Pergunta-se:
quem está por trás desta? A quem mais interessa a massa apequenar-se e se
voltar para seu cotidiano singelo, sem grandes conquistas?
Quem
é o grande mentor dessa paralisante anomalia que obrigou o Gigante a voltar
para o seu sono profundo?
A
pergunta foi lançada, senhores. Façam suas apostas.
Eleni Mariana de Menezes é graduada em Gestão Financeira e pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas.
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